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CARTAS PARA O FUTURO I MISPR 2024 I CURADORIA MICHELE MICHELETTO

Para uma artista que garimpa fotos antigas para seu trabalho, o convite do MIS - Museu da Imagem e do Som do Paraná foi como abrir uma caixa de tesouros. Um magnífico acervo público da história paranaense, ao alcance de suas mãos habilidosas e seu espírito contestador. 

 

“Cartas para o futuro” surge diante de uma complexidade de tempos, em que a artista dá voz - através de mensagens recortadas e coladas, como numa carta anônima - a mulheres. Elas estão estampadas, numa série de 46 obras, mandando possíveis mensagens para outras, filhas, mães, namoradas e amigas. Com frases e palavras potentes como “Não sei como não ser coragem”,“ Estude”,“Ame-se”, “Somos maioria” e “Confiança”, a artista cria novas histórias para essas personagens, fotografadas por homens, em um tempo no qual não tínhamos mulheres fotógrafas no Paraná (ao que se sabe).

 

Essa mostra surge para ser exposta na área externa do museu, como um grande mural e, diante de sua intensidade e significado, ganha outro convite: agora, para adentrar o espaço expositivo, e se transformar em um “site specific”, como uma casa de vó. Um resgate onírico do espaço onde Bruna aprendeu a bordar. As mensagens das obras são claras e coloridas, trazendo à tona uma nova paleta na vida da artista, que antes se descrevia bem com a cor vermelha. O bordado, a colagem, o carimbo e o garimpo estão presentes nessas fotos, como as letras que foram retiradas de revistas dos anos 40, 50, possivelmente anos em que muitas dessas fotos cedidas pelo Museu, foram feitas".

 

"Aqui, o rico acervo do MIS entrega imagens dos fotógrafos Dario Vellozo e Guilherme Glück, que datam entre os anos 1920 e 1950, para Bruna Alcantara recontar suas histórias.  Diante da complexidade do tempo, as fotos, antes tiradas em chapas de prata, agora são entregues a ela em arquivos digitalizados.

Quem foram essas mulheres? Onde viviam? O que faziam? Como era a relação com seu corpo, costumes, seus gostos? Quais conselhos elas nos dariam? 

 

Esse é o papel do imaginário da artista, que remonta sutilmente uma casa e te convida a entrar, caro espectador. Que as mensagens dessas obras ressoem e multipliquem-se, assim como em cartas para o futuro".

Michele Micheletto, curadora. 

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